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Traumas: as feridas que sangram

Os traumas são como cicatrizes na pele, alguns sangram por alguns dias, mas logo o corpo dá conta de cicatrizar, em outras situações o nosso corpo tende a escondê-lo de nós como uma forma de proteção, como um abscesso, mas quando mexemos nele, ou voltamos a passar por uma mesma situação, tudo tende a voltar à tona, e o que achávamos que já havia passado ainda nos faz mal. A memória traumática reativada assume o controle de nossos pensamentos, de nossas emoções e das reações de nosso corpo.  

A retomada da ferida psíquica desencadeia os mecanismos de resposta ao estresse: cortisol, adrenalina, resposta inflamatória e entrada em estado de alerta do sistema imunológico. Fazendo com que o nosso organismo fique preparado para reagir em caso de um novo trauma e pronto para o combate ou a fuga.  

Podemos usar como exemplo o caso do nervosismo. Quando passamos por algum momento de intenso estresse, para algumas pessoas o organismo promove uma sensação de agitação, nervosismo e irritabilidade, para que estejamos prontos para caso ocorra um novo incidente. Então, quando outra pessoa chega para conversar, confrontamos, para evitar que tenhamos que passar pela mesma frustração novamente, ou seja, atacamos antes que sejamos atacados.

Enquanto vivemos em frustrações, tanto conscientes (impotência pelo falecimento de entes queridos, mágoas, culpas, arrependimentos) como inconscientes (perigos de aborto durante a gestação, situações vinculadas ao parto ou pequena infância, que são mais difíceis de lembrar, além de processos hereditários), permanecemos com nosso organismo em disfunção, sujeito a promover desequilíbrios em órgãos, músculos, articulações e sistema nervoso, tanto fisicamente quanto emocionalmente, o que por consequência desencadeia as doenças. 

Nosso organismo, através dos sintomas, tenta nos avisar que algo está errado, que temos que parar o combate, recuar, corrigir o que está acontecendo de errado, para que no futuro o simples sintoma não tenha que virar uma grave doença. 

Perdemos com o passar dos anos a capacidade de nos conectarmos com nosso corpo, e entender o motivo de suas reações. Hoje em dia há pessoas que não conseguem expressar exatamente o que sentem, se a dor é assim ou assada, ou mesmo entender qual é o real sentimento que as afeta e as deixa em estresse, se é uma preocupação, uma ânsia por algo, se é uma injustiça que viveu, ou outras quaisquer frustrações, estamos completamente desconectados do corpo e mente, simplesmente vivendo sem sentir-se. As relações seriam tão mais fáceis se nos entendêssemos em primeiro plano, para daí depois tentar entender os outros, pois enquanto nem sequer entendemos o que nos chateia, jogamos a responsabilidade sempre para o outro. 

Deixe suas feridas cicatrizarem e evite que elas sangrem até o fim. Cuide-se. 

Quer ir mais a fundo no conhecimento de si mesmo? Então acesse este link a seguir e entenda o motivo de algumas pessoas não conseguirem demonstrar emoções: http://bit.ly/2BgqODJ

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas

http://www.leisbiologicas.com