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O que não te deixa dormir?

Estima-se que um terço da população geral sofra de dificuldades em dormir. Dormir mal ou em quantidade insuficiente tornou-se, com efeito, uma queixa de saúde pública extremamente prevalente. Estudos indicam que 5% dos pacientes com insônia consultam os cuidados primários de saúde e 69% nunca mencionaram aos médicos suas dificuldades de dormir. Quando crônica, geralmente reflete distúrbios psicológicos e comportamentais. 

As consequências da insônia são preocupantes. Acarretam efeitos adversos para a saúde física, desencadeando fadiga diurna, risco de doenças cardiovasculares, gastrointestinais e psiquiátricas. Interferem, simultaneamente também, no desempenho profissional e nas relações interpessoais. A insônia também está relacionada com o aumento do uso de medicação psicotrópica e com o risco de abuso de outras substâncias.

A insônia é experimentada de forma única por cada doente, pode ser definida, de acordo com a Classificação Internacional das Desordens do Sono, como uma dificuldade em iniciar o sono (insônia inicial), dificuldade em manter o sono (insônia intermédia), acordar muito cedo (insônia terminal) ou, embora com menor frequência por uma queixa de sono não restaurador ou de má qualidade. 

Uma noite de insônia pode ser desencadeada se num momento surgir um episódio de estresse como um problema profissional, um conflito conjugal ou a perda de um amigo.

Além de ser o distúrbio do sono mais comum, a insônia está diretamente associada aos transtornos psiquiátricos. Estudos epidemiológicos demonstram que sua persistência é um fator de risco para a depressão, além de que, cerca de 80% dos pacientes com este transtorno se queixam de alterações no padrão do sono, especialmente de insônia terminal. Já os transtornos ansiosos e os do pânico parecem estar mais associados aos tipos, inicial e de manutenção (intermédia).

Na avaliação etiológica da insônia, precisamos aprender a valorizar e investigar os aspectos emocionais tão sistematicamente quanto fazemos em relação aos aspectos orgânicos. O diagnóstico psicológico deve ser tão ativo quanto o orgânico. 

Nas crianças o medo de ficar sozinho pode estar associado, ao fato de presenciar brigas entre os pais, à exposição a filmes ou histórias violentas, ou qualquer outro evento assustador. Perda dos pais ou irmãos e estresse pós-traumático são situações frequentemente associadas a alterações no sono em crianças, assim como problemas em instituições (creche, escola, clube) abuso/ violência física ou sexual. Em adolescentes e pré-adolescentes, depressão e ansiedade são causas freqüentes de insônia. 

Muitas vezes nos casos de dificuldade em pegar no sono, encontramos pessoas em fase de estresse de situações, em geral, onde a pessoa ainda está tentando processar o que está acontecendo, tentando achar uma solução para o ocorrido, ou permanece não aceitando o que aconteceu. Já a perda de sono no meio da noite pode estar relacionada a situações pós-estresse, como quando a pessoa já saiu da fase crítica, mas durante a madrugada, em torno das 3 horas da manhã, ocorre uma releitura do sintoma, como se o corpo estivesse se preparando para voltar ao funcionamento normal. Há também os casos onde as pessoas possam ter vivido um estresse específico durante a madrugada, como por exemplo, uma notícia de um acidente ou uma morte, onde lhe ligam pela madrugada e é acordado de sobressalto, ou quando estava em uma festa pela madrugada e ocorre um incidente de grande incomodo, desta forma, naquele horário do ocorrido, o cérebro volta a se reativar nos próximos dias, lhe deixando em alerta, caso o incidente ocorra novamente. E ainda há aquelas situações onde a pessoa está vivendo uma grande indecisão em sua vida, preocupada com alguma decisão que terá que tomar, ou sofrendo antecipadamente por algo que está para acontecer. 

Estas informações fazem sentido para você? Há algo em sua vida que se encaixe nestes estresses ou preocupações? 

Então aproveite para olhar dentro de você, para tentar identificar os motivos de seu sono não estar da forma que você gostaria e tente solucionar este problema, desabafando com alguém, pedindo ajuda, ou simplesmente deixando o ocorrido de lado e focando em outras situações mais relevantes, para que então você possa ter um sono por total reparador e um dia mais energizado. 

Se você quer entender um pouco mais sobre quais são os sintomas da fase de estresse e os sintomas da fase pós estresse, acesse o link a seguir e assista ao vídeo explicativo: http://bit.ly/2C5PRcC 

 

Dr. Ivan Bonaldo

Crefito 8/99696-F

Idealizador do Congresso Internacional das Leis Biológicas

http://www.leisbiologicas.com